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O vaso chinês

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Enquanto ele esteve ali, em algum canto da sala, do terraço, ou enfeitando a mesa de jantar, ostentava em suas faces externas , uma série de car a cteres que sempre me intrigaram . Toda vez que olhava para ele, saltavam me aos olhos, aquelas letras elegantes e para mim, totalmente enigmáticas . ( A única certeza que eu tinha , era sua origem oriental, dado à forma inconfundível daqueles caracteres ) . Porém, apesar d a curiosidade em desvendar o real significado, jamais me ocorreu a ideia de procurar em algum tradutor , a solução do mistério Eis que certo dia, um temporal assolou a cidade . Primeiramente , chegou o vento furioso, varrendo tudo que se encontrava em seu caminho. Parecia apressado e determinado a chegar ao seu destino, seja lá qual fosse!    Em seguida veio a chuva . Descia densa do céu .   Ao cair, produzia uma espécie de vapor acinzentado que se desprendia do solo .    Na avenida, não se via viva alma! Quem um pouco antes se en...

Astro Rei

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Ao abrir os olhos, notei o quarto todo iluminado pelos raios de sol. Atrevido, ultrapassou as frestas da persiana e veio visitar minhas retinas. Elas não estavam preparadas para isso.  Era pouco mais de 5 da manhã. Para muitos a noite não terminou ainda, mas aqui, o sol decretou uma nova ordem. O dia já começou.  Resignado, levantei-me, ainda com preguiça, mas determinado a cumprir as novas regras. A natureza não aceita desafios!  Em breve lampejo de memória, lembrei-me de que dias atrás, eu reclamara do frio extemporâneo que rondou nosso verão. Parece que o sol aceitou o meu pedido e assumiu o seu posto, fazendo valer a sua autoridade. Não seria agora o momento de agradecer? 

ARTE

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Existem mil motivos para se fazer arte. Tem aqueles que são artistas inatos, nasceram com o “Dom” como se costuma dizer. Do nada, saem por aí cantando, dançando, encenando, pintando e bordando, sem nenhum esforço, sem qualquer estresse! Nasceram para ser artistas! Há Outros, diferentemente, desprovidos de qualquer dom, mas inseridos no contexto da arte por variados motivos, todos plenamente justificáveis. É o caso do senhor ou da senhora já aposentados, cujas tarefas obrigatórias já foram todas cumpridas. Agora buscam recompensa em tarefas mais aprazíveis, que lhes tragam conforto e leveza de espírito, em substituição às duras jornadas ao longo de uma vida inteira! Há também, aqueles, cujas responsabilidades profissionais, carregadas de tensão, de incertezas e de pressão psicológica. Ao final do dia, necessitam de uma válvula de escape, para recuperação das forças e retorno ao eixo. Outras tantas situações poderiam ser aqui descritas, mas estas poucas já bastam, pois, justifi...

Meu eu

  Hoje quando acordei, uma das primeiras coisas que fiz, foi me olhar no espelho. Vi uma pessoa sisuda, de cenhos franzidos, olhar penetrante, cara de mau! Voltei-me a mim mesmo e perguntei: … sou eu? Lá do mais profundo recanto de meu ser, resoluta, soou uma resposta. Esta é uma versão piorada do pior de você. Você não é assim! Seu interior é belo, generoso, acolhedor, cativante! As pessoas gostam da sua presença. Essa cara que você vê, não é a sua cara. não é a cara que os outros veem em você. Relaxe, não se puna. O mundo precisa de você do jeito que você é.

MÃOS

  Mãos   Não é por acaso que nelas me perco, ao observar e tentar reproduzir em um pedaço de papel. Elas de tão complexas parecem simples, mas em sua simplicidade nos enganam e se tornam difíceis Do gesto grotesco e mal-intencionado, ou da aspereza de um gesto revoltado, porém involuntário, ou ainda da doçura de um acolhimento junto ao peito, oferecendo abrigo, são atos de que são capazes, as mãos! As mesmas mãos que confundem os artistas com tamanha recorrência, camuflando sua participação significativa no todo, o corpo; como se dele não fossem parte importante. São, porém, o instrumento mais precioso na feitura das proezas que nascem do intelecto! As mãos, enfim, são o veículo que leva do artista ao expectador, a mais fiel tradução de inspirações e possibilitam a comunhão de sentimentos e imagens que se materializam!  

Estações

  Eu pensei estar no verão. Aí, chegou alguém e me desencantou! Disse-me bom dia e desejou que meu inverno fosse bom e promissor, com esse friozinho característico (em pleno mês de outubro). Falou também das flores, em clara alusão à primavera. E eu que pensava estar no verão, agora não sei mais onde estou! Que estação é essa? Meu trem não tem bússola, GPS, essas coisas…Navega a esmo. Minhas coordenadas estão sem coordenação, embora ainda sejam coordenadas sindéticas, mas não são absolutas… meu norte, porém, está um pouco voltado para o leste ou oeste, sei lá. Acho que meus pontos cardeais jamais chegarão ao papado. Não orientam ninguém. Enfim, o que importa mesmo, é que voltei.

A ESTRADA

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A estrada da vida não é uma reta contínua e de fácil navegação. Em boa parte do percurso, não tem boa pavimentação, nem sinalização adequada! As placas nem sempre estão visíveis. Muitas são ilegíveis. Algumas sofreram com a ação do tempo, ou foram danificadas por vandalismo. Encontram se em estado precário, requerendo especiais cuidados de interpretação, para não mascarar o seu significado! Nos trechos de serra, as curvas são tão intensas, que parecem confrontar com a pista de volta, em fantástica ilusão de ótica. A estrada da vida não tem volta! Os faróis que ofuscam nossos olhos, na verdade, seguem na mesma direção. No asfalto tem marcas de muitas derrapadas. Mais à frente, sinais de salvamento milagroso, com veículos pendurados no penhasco! Há também sinais de fatalidades! Nem todos tiveram a mesma sorte! Em alguns trechos as ladeiras são desafiadoras. Umas longas demais, outras inclinadas demais. E todas com seus buracos e suas imperfeições, fazem subir a aceleração. Na cabine d...